Anti-dica de ensino

__________Há uma passagem na obra de Conan Doyle em que Sherlock Holmes diz que, além de prestarmos atenção aos cães que ladram, devemos prestar atenção aos cães que NÃO ladram. Essa colocação é muito inteligente e constitui um dos alicerces da boa semiologia clínica e da arte de observar. Eu costumo fazer postagens sobre “os cães que ladram”: livros de ensino que são geniais e nos enchem os olhos (e a cabeça) ao percorrermos suas páginas e capítulos (por exemplo, o “DICAS DE ENSINO”: http://forum.microbiologia.vet.br/index.php/sobre-o-livro-dicas-de-ensino/). Quantas ideias, sugestões e inspiração tiramos de livros bons como esse! Mas em certos momentos é preciso falar também dos cães que não ladram.

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__________Hoje, enquanto esperava meu carro da lavagem de um posto (a espera seria muito longa, de acordo com o frentista), peguei um novo livro sobre ensino para ler. Estava curioso, pois foi uma sugestão de uma das minhas chefes e o tema era muito interessante. Infelizmente, antes do final do dia eu especulava o que faria com ele (nem o mais atroz dos livros merece o lixo como destino). Não é agradável ficar tecendo críticas a um autor, mas é necessário. Tivesse eu encontrado uma resenha antes, teria poupado tempo, dinheiro e trabalho. O livro em questão se chama “COMO SE APRENDE”, de Evelise Portilho, editora Walk, 2ª edição.

__________As coisas começaram mal: um prefácio escrito em um estilo tortuoso, privilegiando acrobacias retóricas ao invés do estilo direto e claro, e sem grande profundidade de análise. Abortei sua leitura e parti direto para a introdução; logo percebi que essa amostra inicial tinha significação estatística, pois o livro inteiro tinha um texto pouco fluido, com vários trechos que nos forçavam a voltar duas ou três vezes na leitura para conseguir entender o sentido.

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Uma narrativa prolixa e pouco elucidativa de muitas teorias de aprendizado ocupa a primeira metade. Na segunda metade, resolvi ler por amostragem (a fila de carros antes do meu encurtava rapidamente). Pincei trechos aqui e acolá e a impressão negativa se repetiu. Boa parte das vezes o estilo turvo parecia querer disfarçar frases que não tinham grande conteúdo (a descrição da aprendizagem significativa podia servir de modelo de como falar muito e não dizer nada). Descrições maçantes centradas em palavras de efeito, em sentenças circulares que ora diziam o óbvio, ora reforçavam esse óbvio, ora discursavam generalidades e platitudes de pouca utilidade. Para quem está buscando informações relevantes, atualizadas e aplicáveis nos processos de ensino-aprendizagem, o livro é um balde de água fria.

__________Acima de tudo, um livro chato, que se lê como se estivéssemos nos arrastando por um asfalto muxibento, torcendo pelo seu fim.

__________Mas há duas coisas positivas que extraí dele: um questionário no final deu um ideia modesta de como abordar o tema de métodos de estudo com os alunos. A outra foi que ele me fez lembrar do famoso dito de Dom João VI: “Se não saber o que dizer, não digas nada.” Algo que procuro aplicar a mim mesmo.

__________Meu carro ficou pronto ao mesmo tempo que eu encerrava minhas expectativas com relação a esse livro.

Sobre terapias alternativas milagrosas e credulidades perigosas…

__________O Dr. Luís Fernando Correa, comentarista da CBN, tratou hoje de terapias alternativas, câncer, embuste e os perigos da credulidade. Excelente PodCast! Clique na seta abaixo para ouvi-lo. Aproveito para deixar uma dica de leitura aos meus alunos: O MUNDO ASSOMBRADO PELOS DEMÔNIOS, do Carl Sagan. Resumo da cabecinhaimportância que atribuo a esse livro: é um dos meus grandes livros de cabeceira. Em 23 anos de docência em que sugiro sua leitura, acho que apenas 3 alunos realmente embarcaram nesse livro incrível. Uma pena. Mas fica a dica…

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A valiosa e necessária empatia: se colocando no lugar do outro.

__________Muito tempo atrás postei este vídeo para meus alunos de medicina no Facebook, mas como a empresa do Zuckemberg tem o péssimo hábito de sumir com nossas postagens sem nos consultar, resolvi publicar no meu blog.

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__________O vídeo trata da necessidade de se humanizar o tratamento médico de uma maneira muito poética e comovente. Pude sentir a importância disso quando vivenciei o Rondon com os alunos de Jundiaí. A coisa mais preciosa não foram as ações boas que levamos para lá, que são sementes difíceis de acompanhar e mensurar, mas o efeito nos alunos. Acho que voltaram pessoas melhores e mais sensíveis para viver a empatia com os outros, especialmente com seus futuros pacientes. Nesse ponto, o Rondon do século XXI foi muito sábio em colocar que o foco do programa não são as populações atendidas, mas os alunos que participam do projeto. O que eu havia estranhado um pouco no início ficou claro para mim no final da viagem.

__________Segue o vídeo, que sempre me comove quando eu assisto.

Leitura de férias: CÉREBRO & CRENÇA, uma viagem deliciosa aos porquês da credulidade.

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__________CÉREBRO & CRENÇA, um livro surpreendente. Seu autor, Michael Shermer, é editor da revista SKEPTIC, e aborda aquilo que para mim é um dos assuntos mais interessantes que

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existem: a explicação neurofisiológica da crença.  Astrologia, quiromancia, bruxaria, discos voadores, tratamentos alternativos estapafúrdios,  fantasmas, espíritos… a lista é interminável e potencialmente explosiva,  se encaixarmos as diferentes religiões. Os dois primeiros terços do livro são um primor ao dissecar as últimas descobertas da neurofisiologia relacionadas à credulidade e ao cepticismo. O terço final acaba se dispersando um pouco mas a finalização (Deus existe? Essa pergunta é pertinente?) é muito interessante e instigante. Uma leitura que vale cada linha.

Entre o céu e o inferno

__________Mesmo professor, mesma metodologia, mesmo assunto… e duas aulas COMPLETAMENTE diferentes.

__________Uma, penosa, desgastante, sofrida; as pessoas são impassíveis, não perguntam, não reagem, não riem, não fazem colocação de espécie alguma. Vários ficam usando o celular de forma descarada, rindo alto e conversando, como se vc não estivesse ali; outros conversam elasmossaurocomo se estivessem no boteco da esquina. Ninguém tem dúvida nem certeza, exceto talvez de que não quisessem estar ali, a julgar pelos bocejos, pelas bufadas de saco cheio, pelas expressões de fastio. Poucos se destacam, e mesmo esses se contagiam com o clima de alheamento que parece ser o DNA desse grupo. Diante disso, reza-se pelo final da aula, que vem de forma antecipada, antes do horário, como se nosso inconsciente, desesperado para livrar-se de tamanha provação, abreviasse frases, acelerasse o ritmo da fala, ignorasse curiosidades, acréscimos, adendos, aplicações.

__________A outra, um espetáculo didático em que grande parte do tempo é a turma que dita o ritmo da aula, participando intensamente, interessada, curiosa, motivada, fazendo perguntas, contando animada sobre o que viu no jornal ou na imprensa acerca do assunto. Quando a gente vê, o horário já deu e ainda estamos falando – e parte da sala ainda fica ali, sem debandar com seu material. Tanto se falou, debateu e se trocou, num clima afetivo, cordial e criativo, que uma aluna, ao se despedir quando todos já haviam saído, faz uma síntese: “Que aula deliciosa! Uma das melhores do semestre!”

__________A diferença entre esses dois extremos absurdamente díspares não foi o professor, a vista da janela, a consistência do giz ou a quadratura da lousa. Foi a TURMA. Essa confrontação ajuda a dissolver o pedagogês demagógico de “centrar” a aula aqui ou acolá. Sem professor não há aula; sem turma não há aula. Simples assim. O processo de aprendizado envolve AMBAS as partes e ambas são responsáveis pelo resultado final. É dessa interação que nasce o inferno ou o céu. Eu vivi isso esta semana de forma tão extrema que parece coisa sobrenatural, como que para mostrar para um incrédulo como eu a força que o mágico contraste tem na existência.

__________Turmas são como safras, já disse um professor em um artigo da Folha de São Paulo. Há as boas, as médias e as ruins. O que explica essas diferenças? Talvez misteriosas conjunções astrológicas. Talvez a microbiota do solo. Talvez a radiação dos quasares. Nunca ninguém chegou perto de decifrar esse enigma. Mas ele está aí.

Complexo Maior de Histocompatibilidade (MHC): mostrando a aplicação das ciências básicas

__________Quando se ministram disciplinas básicas (microbiologia, imunologia, parasitologia, bioquímica, farmacologia, etc.), um dos grandes desafios do professor é mostrar a aplicação de tudo isso. É um ponto fundamental para manter a motivação dos alunos e monstrengofazer uma integração entre a parte básica e a aplicada. Se isso não acontece, já reparei que os alunos se desestimulam e passam a enxergar a matéria como um fardo a ser carregado ou um “pedágio” necessário para se chegar ao final do curso.

__________Ao mesmo tempo, vários alunos que parecem ter “inapetência intelectual” desprezam as disciplinas básicas independente de sua importância ou da forma como são ministradas, achando que já nasceram profissionais formados que sabem exatamente o que precisam dominar de conhecimento. Para esse pessoal, fica a dica: os maiores e mais interessantes avanços na área médica e veterinária tem ocorrido justamente em pesquisa básica. As técnicas moleculares que permitem achar criminosos na medicina forense ou fazer diagnósticos rápidos e certeiros de viroses como o ebola nasceram de pesquisa básica.

__________Entender essas ciências está sendo, mais do que nunca, o diferencial entre um profissional medíocre e raso e um profissional atualizado e competente, capaz de resolver problemas importantes. Façam suas escolhas…

__________Nesse contexto, a IMUNOLOGIA é um campo interessantíssimo. Tomo como exemplo para esta postagem minha aula de MHC (Complexo Maior de Histocompatibilidade). É uma das aulas que mais gosto na Imuno, e sempre tento fazer pontes entre ela e aplicações relevantes, como transplantes e compatibilidade tecidual, resistência às doenças, extinção de espécies. Mas como ando sentindo falta de reforçar essa ligação, tive a ideia de trazer exemplos palpáveis de aplicação. Fui em busca desses exemplos e consegui alguns que aliam modernidade e didatismo. Antes, um alerta: todos os textos que vou mostrar aqui são facilmente acessíveis através do PubMed (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed), mas estão em INGLÊS. Muita gente entra num estado de chororô convulsivo quando vê um texto em inglês, gemendo e reclamando copiosamente. Se metade dessa energia usada para se vitimizar fosse direcionada para aprender o idioma em questão, não haveria mais problema para esse indivíduo e o aprendizado dele daria um fabuloso salto qualitativo. Nem preciso dizer que o domínio elementar da língua inglesa é o passaporte para ser um profissional atualizado, valorizado pelo mercado e integrado à comunidade científica e profissional. Mas vamos ao assunto…

__________Um primeiro exemplo de aplicação vem de uma doença importante tanto na veterinária quanto na medicina humana, a TUBERCULOSE:

MHC 6

__________Esse trecho do artigo trata de uma das coisas mais importantes relacionadas ao MHC, que é a sua propriedade de condicionar a resistência às doenças infecciosas. Reparem que há populações particularmente vulneráveis à tuberculose (como alguns índios amazônicos) e essa vulnerabilidade é explicada pelos alelos de MHC portados por essas populações; coisa semelhante parece acontecer na lepra. Acho providencial este exemplo, porque ele ajuda a elucidar aqueles fenômenos de populações resistentes, que normalmente os alunos associam com a presença de memória imunológica, quando na verdade são o resultado de um processo demorado de seleção de alelos do MHC.


__________Outro exemplo bacana é este em relação às malassézias (Malassezia furfur em humanos e M. pachydermatis em animais):

MHC 3

__________Na tabela ao lado são listados os fatores que condicionam/predispõem à infecção por esse agente em neonatos (clique na imagem ao lado para ampliar a tabela). Entre eles, a BAIXA EXPRESSÃO DE ALELOS HLA-DR. Neste ponto, aproveito para relembrar os genes do MHC: HLA-A, HLA-B, HLA-C, HLA-DP, HLA-DQ, HLA-DR – não trato aqui das variantes cadeia alfa e beta.


__________Neste artigo aqui temos uma variação do tema: indivíduos portadores do alelo HLA-B27 são mais suscetíveis a uma forma MHC 4
grave de infecção por Yersinia enterocolitica que envolve uma artrite não supurativa. Ótimo momento para lembrar a incrível quantidade de alelos do MHC, sua característica mais peculiar:
MHC 8










__________Já este artigo trata de uma doença muito importante, a febre tifóide por Salmonella typhi, e MHC 5
correlaciona um padrão de alelos com a suscetibilidade a essa doença ou a resistência a ela. Imagino que para muitos essa profusão de siglas deve ser assustadora – e é. Mas nada que um pouco de disciplina e esforço não consigam transformar em algo familiar. Eu disse um pouco?…





__________Outra correlação muito interessante é entre a dengue hemorrágica (DHF) e padrões de alelos. Muito curioso MHC 7observar que no Haiti, apesar das precárias condições sanitárias e pobreza geral, além de uma hiperendemia de dengue, não há relatos de dengue hemorrágica! Tudo graças ao padrão de alelos de MHC que prevalece nesse país.









FECHAMENTO: Talvez muitos estejam tendo dificuldade de ver a aplicação do tema, mas creio que está claro que, se no futuro tivermos a) uma prova rápida, precisa e barata para sequenciar os genes do MHC para cada indivíduo (humano ou animal) e b) um conjunto de dados confiável que faça correlações precisas entre determinado alelo ou conjunto de alelos e determinadas doenças, passaremos a ter uma abordagem inédita das doenças infecciosas, com a individualização de tratamentos e medidas preventivas, além de certamente facilitarmos uma série de diagnósticos. Hoje lidamos com o paciente de forma PADRONIZADA, porque é impossível saber exatamente suas características individuais de reação imunológica, flutuação hormonal, fisiologia peculiar, farmacocinética e outras tantas. No futuro, creio que olharemos para trás e vamos ficar espantados com a precariedade de se lidar assim com as doenças. Vai nos parecer coisa “pré-histórica”. E esse futuro está bem próximo. Por isso, gostaria muito que os meus alunos compreendessem em profundidade esta aula e todas as implicações dela para a prática clínica.

Artigo de hoje da Suzana Herculano-Houzel

__________Hoje saiu um artigo curto mas muito claro da Suzana Herculano-Houzel na Folha sobre o papel da tecnologia no
cobra
ensino. Adoro adotar tecnologia nas minhas aulas, mas compartilho inteiramente da opinião dela quanto a ilusão de que isso seja a grande diferença para o aprendizado:

http://www1.folha.uol.com.br/colunas/suzanaherculanohouzel/2014/09/1509380-tecnologia-e-boas-aulas.shtml

GESTÃO DE APRENDIZADO – 1

__________Aqui vai uma postagem sobre um assunto recorrente tanto na veterinária como na medicina: FALTA DE TEMPO PARA ESTUDAR. Na veterinária, isso se aplica especialmente ao pessoal que trabalha e estuda; na medicina, para todos os alunos, porque o curso é integral e toma o dia inteiro. Em relação a isso, eu tenho uma boa e uma má notícia…

CUICA

__________Melhor começar pela má notícia: não existe atalho mágico para você aprender e ser aprovado sem dedicar tempo para o estudo. Ninguém vai conseguir ser um veterinário ou um médico competente sem sacrifício. Não é simplesmente estando presente nas aulas que se vai conseguir aprender tudo o que tem que ser aprendido. É preciso estudar, e MUITO. A boa notícia é que, a despeito das dificuldades em relação ao escasso tempo para estudar, existem algumas estratégias que podem otimizar o estudo. Não sou nenhum especialista nessa área (meu negócio são os fungos…), mas a persistência desse problema com meus alunos está me forçando a buscar soluções que os auxiliem. E esta postagem pretende ser a primeira de muitas.

__________Pretendo ficar longe da enrolação da linguagem pedagógica tradicional que muitas vezes ‘fala muito e não diz nada’. Não faltam por aí longos textos recheados de adjetivação, rococó retórico e promessas etéreas (1), parecidas com as promessas da candidata a presidente cuja proposta concreta de governo é fazer uma presidência “sonhática”. Esse tipo de coisa pode ser boa para iludir o espírito e criar falsa esperança, mas são inúteis, porque não tem conteúdo algum, só pura auto-ajuda barata. Minha idéia aqui é tentar, na medida do possível, trazer algum elemento realmente concreto, aplicável e mensurável, com fundamentação científica.

__________E a primeira coisa que quero tratar acerca de aprendizado é uma questão pra lá de mundana: o sono. Jovens são conhecidos por dormirem pouco, em decorrência de baladas e outros eventos sociais que tanto caracterizam essa idade. Também há o clássico “passar a noite em claro” para estudar para uma prova particularmente difícil. Pois saibam que privação de sono é uma das primeiras besteiras que se podem fazer para prejudicar o aprendizado. Não vou discorrer sobre o papel fisiológico do sono, mas há muitos estudos científicos associando sono e aprendizado, especialmente com a consolidação da memória. Um interessante que saiu recentemente é este (2):

GESTAO_DE_APRENDIZADO_1
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__________Embora não seja específico para conteúdo de graduação e sim para aprendizado motor, as conclusões dele são extrapoláveis (e há outros artigos que seguem nessa linha):

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__________Não é o melhor, não é o único e tampouco é um estudo sem contestações – há pesquisadores que não confirmaram algumas conclusões dessa linha de pesquisa, é bom que se saiba. Mas a maioria dos estudos parece confirmar essa posição: dormir consolida a memória (especialmente aquela derivada de aprendizado consciente). Um trecho do artigo em questão que destaca esse aspecto segue abaixo:

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__________Portanto, dormir bem e durante tempo adequado é uma correção que muitos alunos que negligenciam este aspecto podem fazer para tentar melhorar seu desempenho. O que é adequado em termos de horas de sono é algo meio individual, mas não se escapa muito de umas 7 horas de sono.

__________Eu gostaria muito de poder ver a participação dos meus alunos nos comentários, inclusive sugerindo fontes de leitura complementares. Isso iria enriquecer muito esta postagem e este debate, que é tão útil a tanta gente.

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(1): Aqui vai uma referência aos interessados nessa história de manipulação via linguagem esvaziada de sentido: leiam o livro IMPOSTURAS INTELECTUAIS, do Alan Sokal. Virou um clássico depois que o Sokal criou propositadamente um texto cheio de expressões pedantes e afetadas, num malabarismo retórico oco e sem gestao_de_aprendizadosentido, e conseguiu publicá-lo na mais prestigiosa revista de ciências humanas do mundo (o que mostra que a imbecilidade permeia todos os níveis da sociedade humana, inclusive a nata do círculo científico).

(2): Artigo de acesso gratuito: http://ptjournal.apta.org/content/89/4/370.full.pdf+html

Testes ou dissertativas?

Republicando uma postagem de 2011: “Hoje saiu no Estado de São Paulo uma entrevista com BARRY McGAW, um dos criadores do famoso PISA (é um programa internacional de avaliação de estudantes). Daspinto_gordo várias ideias interessantes discutidas, uma me chamou a atenção. O que é melhor para avaliar? Questões testes ou dissertativas? Para ele, são as dissertativas as que medem de maneira mais apropriada o aprendizado – nas suas palavras, não medem apenas o que foi aprendido, mas a capacidade de se usar o que foi aprendido. Concordo com ele. O problema é o custo, já que o PISA é aplicado a milhares de alunos no mundo inteiro. Veja o trecho em que ele comenta isso:”

testes_dissertativas