Excesso de informação

Semana passada (22/03/2011) a Folha de São Paulo publicou uma reportagem muito interessante de um mal dos tempos modernos: excesso de informação. O link é de acesso gratuito:

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/892220-informacao-demais-confunde-memoria-comprova-estudo.shtml

Cada vez mais, diversas pesquisas ao redor do mundo têm demonstrado que excesso de informação prejudica o desempenho cognitivo, seja interferindo na memória, seja dificultando o foco das pessoas ou a profundidade de conhecimento. Eu fiquei tão interessado que não resisti: fui atrás do artigo original de Brice Kuhl, que a reportagem cita (Fidelity of neural reactivation reveals competition between memories – Proc Natl Acad Sci U S A.; o resumo do artigo pode ser acessado em http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=Fidelity%20of%20neural%20reactivation%20reveals%20competition). Infelizmente ele não é AINDA de acesso gratuito, mas será dentro de 6 meses. Eu topei pagar por ele para satisfazer minha curiosidade de pesquisador, já que esse é um dos campos que eu gosto de pesquisar.

E hoje a Folha de São Paulo noticiou de maneira escondida outro pesquisador que ganhou uma premiação por suas investigações no mesmo tema: Tamás F. Freund. Ou seja, a coisa tá crescendo. Eu acho ótimo que finalmente pesquisas científicas sérias estejam contradizendo um monte de colunistas da imprensa que já há anos escrevem dizendo que excesso de informação ou focar a atenção em múltiplas fontes diferentes é mera questão de adaptação. É toda uma trupe que adora fazer papel de otimista e bajular o público jovem – eles esqueceram que todos pertencemos à mesma espécie e as limitações fisiológicas nos afetam de maneira semelhante. Ninguém vai conseguir correr a São Silvestre em dois minutos apenas porque é jovem e a modernidade chegou.

Curiosamente, o tema não é novo: tenho trabalhos alertando sobre os problemas do excesso de dados e como lidar com eles em um artigo do final dos anos setenta. A diferença para os dias atuais é que hoje temos um volume de dados muito maior e uma variedade de fontes de informação inimaginável – basta abrir o Facebook que vai jorrar informação minuto a minuto – de questionável utilidade.

Acho que agora sei porque algo dentro de mim deseja desintegrar meu perfil do Facebook.