Nova portaria da ANVISA sobre análises microbiológicas de água de portos e água de lastros de navios

Esta semana recebi do professor Adalberto da SBM o ofício circular da ANVISA sobre o levantamento de laboratórios capacitados a identificar vírus e bactérias em águas de portos e de lastro de navios e embarcações marítimas. Lembro que há 25 anos atrás esse problema das águas de lastro de navios globalizarem doenças e colocarem em risco a biodiversidade já aparecia na imprensa. É incrível que tenhamos esperado um quarto de século para o poder público acordar para o problema. O site do governo com a divulgação está em
http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2011/03/23/anvisa-faz-levantamento-de-laboratorios-nacionais-capazes-de-analisar-qualidade-da-agua-em-portos

Detalhe: uma vez mais, os fungos ficaram de fora. Tudo bem. Já estou acostumado…

Há alguns artigos gratuitos sobre o tema.

Este descreve modelos matemáticos relacionados ao risco de disseminação. Só para os mais corajosos:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1691629/pdf/15156914.pdf

Este é mais interessante, pois une a área de controle microbiológico com o tema, propondo peróxido de hidrogênio como desinfetante para a água das embarcações:
http://www.biolbull.org/cgi/reprint/201/2/297

E este é sobre disseminação do cólera via água de lastro:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC201689/pdf/aem00024-0401.pdf

Mais um surto de bactéria resistente

Dia 7 de abril o UOL noticiou mais um surto de bactéria multirresistente, desta vez em Alagoas:

http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultimas-noticias/estado/2011/04/07/superbacteria-ja-matou-oito-em-hospital-de-alagoas.jhtm

O Acinetobacter baumannii é um cocobastonete Gram negativo, habitante da microbiota e que emergiu como oportunista recentemente. Suporta a dessecação, e cepas multiresistentes têm emergido em ambientes hospitalares, provavelmente devido à pressão seletiva do uso de drogas nesses locais.

Dois artigos gratuitos de revisão tratam dessa bactéria – e são bem atuais:

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2956563/pdf/sur.2009.022.pdf

http://www.jidc.org/index.php/journal/article/view/19759502/134

A posição taxonômica dessa bactéria pode ser consultada no Manual Bergey que o Google disponibilizou neste endereço:

http://books.google.com/books?id=jtMLzaa5ONcC&pg=PA73&lpg=PA73&dq=bergey’s+manual+acinetobacter&source=bl&ots=Ho5U98dRmk&sig=3sKKwyPKGzXZzKyHX44chTVVxvg&hl=en&ei=Ju2gTeOqKquC0QGmwvyVBQ&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CBQQ6AEwAA#v=onepage&q=bergey’s%20manual%20acinetobacter&f=false

Fiquei meio surpreso de um livro de mais de 400 reais estar sendo disponibilizado pelo Google – ainda que seja a edição mais antiga.