Vírus oncogênicos na carne bovina?

Sim, essa é a ideia de HARALD ZUR HAUSEN, infectologista alemão, famoso por ter contribuído para a ligação entre o HPV (paipilomavírus humano) e o câncer de colo de útero (cervical) nos anos 80.

Segundo ele, o cozimento da carne não seria suficiente para inativar certos tipos de poliomavírus (um vírus “primo” do HPV e que pertence à mesma família, Papovaviridae). Isso parece fazer algum sentido, pois os papovavírus não são envelopados e, por isso, são resistentes no meio ambiente. A famosa carne crua ou mal passada sustentaria essa parte da hipótese do infectologista alemão.

Para ele, cânceres de pulmão, mama e intestino pdoeriam estar relacionados com esses vírus.

Isso pode soar estranho, a princípio, mas segundo ele, há uma forte correlação entre consumo de carne bovina e predisposição a câncer de intestino, por exemplo. E aparentemente isso não estaria relacionado a componentes da carne bovina, que também são encontrados em outras carnes, como suína, caprina e ou de frango, que também são submetidas ao cozimento ou fritura.

Talvez ele esteja certo. Há 30 anos não se imaginava que úlceras e câncer de estômago poderiam ter causa infecciosa, e hoje isso não só é consenso como o agente relacionado com esses quadros (Helicobacter pylori) parece explicar a maioria deles.

Infelizmente a reportagem da Folha é de acesso restrito (Caderno SAÚDE de 28 de junho de 2011). Mas sugiro a vocês que busquem pelo nome desse médico alemão para achar artigos relacionados. Uma busca no PUBMED também pode ser interessante.

Escherichia coli: fontes para atualização sobre surto na Europa

Há semanas que não param de sair notícias sobre o surto de infecção por Escherichia coli entero-hemorrágica na Europa. Mais de 40 mortes e centenas de infectados, muitos com sequelas permanentes. Esse surto está maior do que o da Escócia, que aconteceu alguns anos atrás e matou por volta de 25 pessoas. Como o surto continua e toda semana aparecem notícias novas, é interessante acompanhá-lo por sites como o da Organização Mundial da Saúde (http://www.euro.who.int/en/what-we-do/health-topics/emergencies/international-health-regulations/ehec-outbreak-in-Germany) e do CDC (http://www.cdc.gov/ecoli/2011/ecoliO104/).

Para quem quiser saber um pouco sobre o surto da Escócia, que ocorreu nos anos 90, basta acessar o site da FAO: http://www.fao.org/docrep/MEETING/004/X6925E.HTM

E hoje saiu uma suspeita de que a cidade de Campinas pode ter os primeiros casos dessa linhagem de bactéria por aqui:
http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,campinas-registra-duas-suspeitas-de-contaminacao-pela-bacteria-ecoli,736617,0.htm

Formol, vetores virais e fungos que combatem parasitas

Três notícias interessantes e bem diversas.

Fungos usados para combater parasitas em animais:
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/922274-tecnica-de-esterco-com-fungos-combate-parasitas-em-animais.shtml

Formol consolida sua fama de cancerígeno:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110613/not_imp731604,0.php

Vetores virais para tratamento de câncer:
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/932718-vacina-viral-ataca-tumores-de-prostata-mostra-pesquisa.shtml

A inteligência artificial está chegando na microbiologia… lentamente

Sim, eu já havia sentido o gosto da inteligência artificial com o mecanismo de busca do Google por voz e um aplicativo do IPhone que busca músicas na rede a partir de pequenos trechos. Mas senti de novo hoje. E tenho a impressão que será cada vez mais recorrente.

Agora o Google lançou um mecanismo de busca por imagens (na tela do Google imagens, há um ícone de máquina fotográfica à direita da barra de busca; clique ali para experimentar). Ao invés de você digitar uma palavra, você manda a sua imagem para o Google e ele te lista as imagens da rede mais “parecidas”. Achei o recurso incrível, inclusive pela sua aplicação em diagnóstico. Para vocês entenderem melhor: identificação de fungos filamentosos (bolores) é ainda feita com base em morfologia do órgão de esporulação. Conseguir identificar bolores requer muita prática, experiência e conhecimento. Agora imaginem que eu encontro um fungo que não consigo identificar; basta que eu tire uma foto do microscópio dele e dê um “Google”! Voilá! O Google me dará a identificação (semelhante ao que está acontecendo com os diagnósticos médicos).

Isso é uma exemplo de inteligência artificial (IA) formidável, na minha opinião.

Pena que a IA esteja chegando tão lentamente, maquitolando, com falta de ar…

Fiz uma experiência com esse recurso do Google e me frustrei um pouco. Mandei uma foto minha e, para minha surpresa, ele devolveu umas cinquenta fotos de… mulheres! Nenhuma delas com barba… algumas até bem bonitas. Foi muito divertido, mas pouco útil. Repetindo a experiência com uma foto de fungo mesmo (Microsporum gypseum, dermatófito), voltaram 6 fotos de cogumelos – sem dúvida parentes, mas muito diversos. Compará-los ao M. gypseum equivale a colocar um lêmur e voltar a figura de um orangotango.

Mas ele achou o meu site que continha essa foto, e isso foi interessante.

Ou seja, o mecanismo precisa de aperfeiçoamentos, mas está a caminho. Em um certo sentido, isso soa assustador: alguém fotografa você na rua sem que vc saiba e, em segundos, obtém uma ficha completa de quem é você.

George Orwell e Aldous Huxley iam gostar (ou não) de acompanhar um avanço desses.

26º Congresso Brasileiro de Microbiologia

Este ano acontece o 26º Congresso Brasileiro de Microbiologia, maior evento brasileiro na área (um dos maiores do mundo, segundo algumas pessoas). Ele será em Foz do Iguaçu, de 02 a 06 de outubro. O envio de resumos se encerra neste mês, 30/06. O link para fazer inscrição ou consultar as atividades é:

http://www.sbmicrobiologia.org.br/26cbm/

Vou estar lá coordenando, com a profa. Marcela Pellegrini, a área de Ensino da Microbiologia.