GESTÃO DE APRENDIZADO – 1

__________Aqui vai uma postagem sobre um assunto recorrente tanto na veterinária como na medicina: FALTA DE TEMPO PARA ESTUDAR. Na veterinária, isso se aplica especialmente ao pessoal que trabalha e estuda; na medicina, para todos os alunos, porque o curso é integral e toma o dia inteiro. Em relação a isso, eu tenho uma boa e uma má notícia…

CUICA

__________Melhor começar pela má notícia: não existe atalho mágico para você aprender e ser aprovado sem dedicar tempo para o estudo. Ninguém vai conseguir ser um veterinário ou um médico competente sem sacrifício. Não é simplesmente estando presente nas aulas que se vai conseguir aprender tudo o que tem que ser aprendido. É preciso estudar, e MUITO. A boa notícia é que, a despeito das dificuldades em relação ao escasso tempo para estudar, existem algumas estratégias que podem otimizar o estudo. Não sou nenhum especialista nessa área (meu negócio são os fungos…), mas a persistência desse problema com meus alunos está me forçando a buscar soluções que os auxiliem. E esta postagem pretende ser a primeira de muitas.

__________Pretendo ficar longe da enrolação da linguagem pedagógica tradicional que muitas vezes ‘fala muito e não diz nada’. Não faltam por aí longos textos recheados de adjetivação, rococó retórico e promessas etéreas (1), parecidas com as promessas da candidata a presidente cuja proposta concreta de governo é fazer uma presidência “sonhática”. Esse tipo de coisa pode ser boa para iludir o espírito e criar falsa esperança, mas são inúteis, porque não tem conteúdo algum, só pura auto-ajuda barata. Minha idéia aqui é tentar, na medida do possível, trazer algum elemento realmente concreto, aplicável e mensurável, com fundamentação científica.

__________E a primeira coisa que quero tratar acerca de aprendizado é uma questão pra lá de mundana: o sono. Jovens são conhecidos por dormirem pouco, em decorrência de baladas e outros eventos sociais que tanto caracterizam essa idade. Também há o clássico “passar a noite em claro” para estudar para uma prova particularmente difícil. Pois saibam que privação de sono é uma das primeiras besteiras que se podem fazer para prejudicar o aprendizado. Não vou discorrer sobre o papel fisiológico do sono, mas há muitos estudos científicos associando sono e aprendizado, especialmente com a consolidação da memória. Um interessante que saiu recentemente é este (2):

GESTAO_DE_APRENDIZADO_1
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__________Embora não seja específico para conteúdo de graduação e sim para aprendizado motor, as conclusões dele são extrapoláveis (e há outros artigos que seguem nessa linha):

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__________Não é o melhor, não é o único e tampouco é um estudo sem contestações – há pesquisadores que não confirmaram algumas conclusões dessa linha de pesquisa, é bom que se saiba. Mas a maioria dos estudos parece confirmar essa posição: dormir consolida a memória (especialmente aquela derivada de aprendizado consciente). Um trecho do artigo em questão que destaca esse aspecto segue abaixo:

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__________Portanto, dormir bem e durante tempo adequado é uma correção que muitos alunos que negligenciam este aspecto podem fazer para tentar melhorar seu desempenho. O que é adequado em termos de horas de sono é algo meio individual, mas não se escapa muito de umas 7 horas de sono.

__________Eu gostaria muito de poder ver a participação dos meus alunos nos comentários, inclusive sugerindo fontes de leitura complementares. Isso iria enriquecer muito esta postagem e este debate, que é tão útil a tanta gente.

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(1): Aqui vai uma referência aos interessados nessa história de manipulação via linguagem esvaziada de sentido: leiam o livro IMPOSTURAS INTELECTUAIS, do Alan Sokal. Virou um clássico depois que o Sokal criou propositadamente um texto cheio de expressões pedantes e afetadas, num malabarismo retórico oco e sem gestao_de_aprendizadosentido, e conseguiu publicá-lo na mais prestigiosa revista de ciências humanas do mundo (o que mostra que a imbecilidade permeia todos os níveis da sociedade humana, inclusive a nata do círculo científico).

(2): Artigo de acesso gratuito: http://ptjournal.apta.org/content/89/4/370.full.pdf+html

Testes ou dissertativas?

Republicando uma postagem de 2011: “Hoje saiu no Estado de São Paulo uma entrevista com BARRY McGAW, um dos criadores do famoso PISA (é um programa internacional de avaliação de estudantes). Daspinto_gordo várias ideias interessantes discutidas, uma me chamou a atenção. O que é melhor para avaliar? Questões testes ou dissertativas? Para ele, são as dissertativas as que medem de maneira mais apropriada o aprendizado – nas suas palavras, não medem apenas o que foi aprendido, mas a capacidade de se usar o que foi aprendido. Concordo com ele. O problema é o custo, já que o PISA é aplicado a milhares de alunos no mundo inteiro. Veja o trecho em que ele comenta isso:”

testes_dissertativas