Cursos gratuitos pela Internet

    _______Uma colega e amiga divulgou recentemente uma dica sobre cursos gratuitos via Internet de várias instituições no mundo todo. Eu já havia lido a reportagem no jornal (http://www1.folha.uol.com.br/tec/1194183-melhores-universidades-do-mundo-oferecem-cursos-gratuitos-pela-internet.shtml), mas só dei atenção quando ela

    divulgou que está cursando uma dessas disciplinas on line. Ela está gostando bastante. Eu tenho interesse de vivenciar um desses cursos para aprender como é o funcionamento deles. Na reportagem da Folha são listados alguns links de universidades e institutos que reúnem vários cursos gratuitos:

  • 1. O EDX (https://www.edx.org/), que reúne cursos das Universidades de Harvard, Berkeley, Georgetown, Texas e do MIT.

  • 2. O Coursera (https://www.coursera.org/), que tem cursos de uma infinidade de instituições, entre elas as Universidades de Stanford, Florida, Toronto, Londres, Duke, Hong-Kong, Maryland, Washington, Illinois, Edinburgo, Ohio, Columbia e muitas outras.


    _______Essa é uma oportunidade extraordinária, que estudantes de 30 anos atrás nem podiam sonhar. Mas ainda que seja fantástico, não consigo deixar de ver algumas questões incômodas.

    _______Ao comentar isso com um colega que não é da área, ele disse em tom de brincadeira: “Agora vocês vão perder o emprego!”. Bom, essa é uma dúvida a se considerar, em vista de muitas escolas estarem enxugando currículos, o corpo docente, a carga horária e, em última instância, a vida universitária. Talvez um dia realmente professor seja uma excrecência num sistema dominado por mecanismos de “supermassa”. A reportagem traz um exemplo para reflexão.


    _______O professor Walter Sinnott-Armstrong, da Universidade Duke (EUA) é citado na reportagem da Folha como um entusiasta. Ele tem um curso sobre a arte do raciocínio e da argumentação. Seu curso tem 166.872 estudantes. Primeira pergunta: como é possível coordenar um curso para um exército de pessoas que supera a população individual da maioria das cidades brasileiras? A resposta parece estar na “automação” do processo. Algoritmos de computador organizam e direcionam o fluxo de acessos e respostas dos estudantes. E supostamente a interação entre os estudantes é suficiente para a atividade formativa do curso. Não consigo imaginar o professor Walter respondendo a e-mails dos seus cento e tantos mil estudantes, como professores presenciais fazem de fato. Então aí, por uma fresta escondida, vemos que o princípio qualidade/quantidade continua valendo, a despeito da apologia entusiástica de amplos setores da sociedade. É possível dar aula para duzentas mil pessoas? Com a Internet sim! Mas qual o papel do professor nisso? A interação dele com cada aluno é praticamente zero. Se cada aluno enviar um e-mail semanal demandando uma interação de qualquer tipo, ele terá 670.000 mensagens de e-mail para responder em
    um mês. Se cada mensagem demandar APENAS dois minutos (o que é totalmente irrealista, a não ser que vc considere que uma interação seja um simples “OK”), ele vai levar 22.000 horas para responder toda essa avalanche. Como o mês tem 24 x 30 = 720 horas, parece que tem alguma coisa errada aí. Aos que querem uma introdução sem maiores aprofundamentos, talvez seja interessante. Mas chamar o rabo de um cachorro de pata não vai transformá-lo em um animal de cinco patas: a limitação física (e consequentemente de qualidade) é inerente e inegável. Quantidade não é qualidade.



    P.S.: Fiquei curioso de como é a validação de autenticidade dos certificados. Talvez haja algum mecanismo como o que certifica documentos jurídicos via Rede.

    P.S. 2 (17/01/2013) Hoje a página do Estadão na Internet disponibilizou um vídeo do Salman Khan discutindo ensino, cursos on line e o novo papel das universidades. Achei simples e interessante:

3 Comments

  1. Alê,não esqueça q de cada xtrocentas pessoas somente uma parcela ínfima, talvez 1%, vai demandar essa interação, assim 6700 emails mensais, 220 por dia.Desses, provavelmente só 10% vão necessitar de uma resposta elaborada,algo mais q um processo “automático”. Acho q 20 emails bem pensados não vão consumir mais tempo além daquele q seria razoável para alguém q dirige tal curso. Pergunte-se: qual a porcentagem de seus alunos presenciais q “vale” o esforço de um pensamento. Extrapole isso para os alunos virtuais, levando em conta a diminuição do comprometimento efetivo (é grátis e virtual), e vc terá não muito mais tempo gasto na interação q de fato conta.
    De qquer forma, para gerenciar essa interação, hay q ser maestro, ou seja, para quem tem de verdade o q transmitir, não haverá extinção. Preocupados devem ficar os profs “100%show0%saber”.

  2. Antes q eu esqueça: parabéns pelos desenhos.
    O verdadeiro artista plástico da família é vc, não eu.

  3. […] a experiência muito interessante. Já tive a oportunidade de comentar sobre esses cursos antes (http://forum.microbiologia.vet.br/index.php/cursos-gratuitos-pela-internet/). Agora que fiz 3 deles, acho útil listar alguns dos aspectos NEGATIVOS que […]

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