Cursos virtuais, tamanho da audiência e a cacofonia dos achismos

__________Estou fazendo meu terceiro curso virtual (“Foundations of Virtual Instruction”) na Universidade da Califórnia e tenho achado a experiência muito interessante. Já tive a oportunidade de comentar sobre esses cursos antes (http://forum.microbiologia.vet.br/index.php/cursos-gratuitos-pela-internet/). Agora que fiz 3 deles, acho útil listar alguns dos aspectos NEGATIVOS que encontrei.

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__________Se você está fazendo um desses cursos, saiba que você está basicamente sozinho. No primeiro curso que fiz (“Pense Melhor: Como Raciocinar e Argumentar”), o professor foi claro: não respondia e-mails. Compreensível, pois o curso tinha 240.000 alunos! Vale o ditado: quanto maior a audiência, menor o repertório. Nesse mesmo curso tive um problema operacional com alguns arquivos; escrevi para um e-mail do COURSERA relatando a dificuldade (isso depois de ter lido as FAQ e a ajuda). A resposta (automática e padronizada) ajudou tanto quanto um copo de água morna ajuda a emagrecer: simplesmente me remeteu ao que eu já havia consultado e não encontrara resposta alguma. No atual curso, a experiência foi ainda pior, pois eu nem esperava qualquer interação individual. Um dos links do curso estava “quebrado” – ou seja, não abria. Escrevi no fórum relatando o problema e perguntando se mais alguém passara por isso, na expectativa de que a instrutora do curso ou um dos 6.000 participantes dessem uma resposta que ajudasse. Estou esperando a resposta até hoje. Há poucos dias fiz uma nova tentativa nesse fórum, respondendo a uma pergunta da instrutora e perguntando aos participantes se alguém já havia passado por uma situação de aula específica. Também fiquei sem resposta alguma. Bom, talvez minha resposta e minha pergunta não fossem interessantes. Resolvi fazer uma avaliação estatística do fórum. Aproximadamente 60% das postagens ficam sem resposta. E, lendo as colocações, tive a sensação de que essa é uma tribo com muito cacique e pouco índio. Todo mundo querendo colocar o que acha ou falando de algo muito pessoal e poucos interagindo. Entre um suspiro e outro, veio-me a definição desse recurso: “cacofonia de achismos”. Perdi muito tempo lendo coisas que não traziam informações relevantes; apenas serviam para cumprir uma espécie de função psicológica de dar a impressão de a coisa era colaborativa. Por enquanto, foi só espuma. Vamos ver como a coisa se desenrola até o fim.

2 Comments

  1. Excelente análise. Assim como as redes sociais nos conectam aos milhares, a verdadeira troca presencial foi esquecida na busca pelo conhecimento. Parece filme de ficção…apenas assimile, como os Borgs!

  2. Perfeita sua avaliação sobre o curso em questão, e eu também já fui vítima de alguns destes cursos “autoinstrucionais”. Do tipo: vire-se!!! O importante é a quantidade e não a qualidade. Porém há algumas “poucas”exceções, e vale a pena pensar que esta ferramenta (EAD), QUANDO BEM USADA , é uma potente agregadora de experiencias diversas que jamais estariam sentadas lado a lado em uma sala de aula convecional. E se soubermos aproveitar todo seu potencial, eu te garanto que o processo de aprendizagem fica muito mais rico e dinâmico! Porém, exige comprometimento e seriedade, senão será “mais um no catálogo” dos caça-níqueis.

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