Dicas e sugestões para o estudo e para as provas…

__________Preparei esta postagem para ajudar meus alunos no processo de aprendizagem e também para lidar de maneira mais construtiva com a famigerada semana de alucinacaoprovas. Tudo que vai aqui foi extraído do livro APRENDENDO A APRENDER, da Barbara Oakley (sugiro fortemente a leitura deste livro ou a realização do curso de mesmo nome no Coursera). Por enquanto esta compilação é um produto meio bruto e sem grandes lapidações. Com o correr do tempo, pretendo melhorar o texto e incluir dicas diferentes de outras fontes.

__________Mãos à obra, que as trombetas do Paraíso já estão tocando…


APRENDENDO A APRENDER

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A. ALERTA INICIAL
Não tenha ilusões românticas sobre estudo ∕ aprendizagem: não existe aprendizagem sem esforço e nem estudo sem dedicação.



B. DICAS DE APRENDIZAGEM

B1. Se você quer realmente melhorar sua memória e também sua capacidade geral de aprender, parece que uma das melhores maneiras de fazer isso é praticar exercícios físicos. Vários experimentos recentes com animais e humanos constataram que a prática regular de exercícios físicos pode melhorar de forma substantiva sua memória e capacidade de aprender. Os exercícios físicos ajudam a criar novos neurônios nas áreas relacionadas com a memória e também novas rotas de sinalização. Parece que diferentes tipos de exercício, correr ou caminhar, por exemplo, em contraposição a levantamento de pesos, podem ter efeitos moleculares sutilmente diferentes. Mas ambos, os exercícios aeróbicos e de resistência, provocam resultados igualmente poderosos sobre o aprendizado e a memória.

B2. Estudos recentes mostram que ler com um cérebro descansado durante uma hora é melhor do que ler com um cérebro cansado durante três horas. Além disso, vários estudos mostram que o sono é uma parte vital da memória e da aprendizagem.
Stickgold, R. e Ellenbogen JM “Quiet! Sleeping brain at work.” Scientific American Mind 19, 4 ((2008): 22-29.
Pessoas que têm o hábito de virar a noite trabalhando ou estudando na verdade são MENOS produtivas do que aquelas que geralmente fazem seu trabalho em intervalos de tempo razoáveis, não muito extensos.

B3. Lembre-se: pesquisas científicas já mostraram que quanto mais esforço você faz para se lembrar de um material de difícil recordação, mais profundamente ele se incorpora na sua memória. A recordação (repetição ativa), e não a simples releitura (repetição passiva), é a melhor forma de prática de estudo. Não se deixe enganar, portanto, por ilusões de competência: só olhar para o material que está na página à sua frente pode fazer você acreditar que já o dominou, quando, na verdade, isso não aconteceu.
[Karpicke, JD e Hoediger HL. “The critical importance of retrieval for leraning.” Science 319, 5865 (2008): 966-968.]
[Roediger HL e Karpicke JD. “The power of testing memory: basic research and implications for educational practices.” Perspectives on Psychological Science 1, 3 (2006): 181-210.]
Tentar se recordar do material que você está tentando aprender (a prática da recordação de informações) é muito mais eficaz do que simplesmente reler o material.
Karpicke, JD “Retrieval-based learning: Active retrieval promotes meaningful learning.” Current Direction in Psychological Science 21, 3 (2012): 157-163.

B4. As pesquisas científicas mostram que se você tentar guardar coisas em sua memória , repetindo-as cerca de vinte vezes em uma noite, por exemplo, isso não dará um resultado tão bom quanto se você praticasse o mesmo número de vezes ao longo de vários dias ou semanas. É a chamada repetição ESPAÇADA.
Carpenter SK et al. “Using space to enhance diverse forms or learning: Review of recent research and implication for instruction.” Educational Psychology Review 24, 3 (2012): 369-378.
Lembre-se: reler o texto só é eficaz se vc deixar passar algum tempo entre as releituras, de modo que elas se tornem um exercício de repetição espaçada. Tentar aprender tudo às pressas em umas poucas sessões não deixa tempo para que as estruturas neurais se consolidem em sua memória de longo prazo, e o resultado é uma pilha confusa de tijolos.

B5. Estudar em grupo é uma estratégia útil: você pode descobrir mais facilmente onde seu raciocínio enveredou pelo caminho errado, pois seus amigos podem indicar esses erros. Além disso, explicar o conteúdo do que você está estudando para seus amigos pode fazer você entender melhor o assunto. Mas o estudo em grupo só funciona se as pessoas forem transparentes em suas críticas e não ficarem com medo de “magoar” o outro. Interações agradáveis sem juízos de valor são menos produtivas que as sessões em que a crítica é aceita e até mesmo solicitada.

B6. “Simplificar também é importante. (…) Quando você valoriza explicações simples e divide o material mais complicado em seus elementos básicos, o resultado é que você tem uma compreensão mais profunda do material. (…) Você pode pensar que precisa entender alguma coisa para ser capaz de explicá-la. Mas observe o que acontece quando você está falando com outras pessoas sobre o que você está estudando. Você ficará surpreso ao ver quantas vezes você entende alguma coisa como consequência de tentar explicá-la para outras pessoas e para si mesmo, e não da explicação decorrente de seu entendimento anterior. É por isso que os professores muitas vezes dizem que a primeira vez que realmente compreenderam um assunto foi quando tiveram que ensiná-lo.”
“Na próxima vez que vc estiver com um membro da família, amigo ou colega de classe, relate a essência do que você está aprendendo. Contar o que você está aprendendo não apenas reforça e compartilha seu próprio entusiasmo, mas também esclarece e consolida as ideias em sua mente, para que você se lembre melhor delas nas semanas e meses seguintes. Mesmo se o que você estiver estudando for muito avançado, simplificá-lo para que você possa explicá-lo para pessoas com formação educacional diferente pode ser surpreendentemente útil na construção da sua compreensão.”

B7. ESCREVER À MÃO ajuda a fixar as ideias em sua mente mais facilmente do que se você tentar digitá-las. “Escrever ajuda a codificar (isto é, a converter em estruturas neurais de memória) mais profundamente o que você está tentando memorizar (parece haver uma memória muscular associada à escrita à mão).”

B8. Estude ou trabalhe em um problema difícil IMEDIATAMENTE antes de dormir.

B9. Escrever uma lista de suas tarefas mais importantes a serem cumpridas antes de ir dormir contribui para realizá-la no dia seguinte, ao acionar seu modo inconsciente de processamento.

B10. Pesquisas mostram que os alunos aprendem melhor quando eles próprios estão ativamente envolvidos com a matéria, em vez de simplesmente ouvir alguém falar.

B11. Uma boa regra quando você está aprendendo novos conceitos é não deixar as coisas paradas por mais de um dia.

B12. Faça os trabalhos mais desagradáveis e mais importantes assim que você acordar. Isso é incrivelmente eficaz.

B13. A persistência é mais importante que a inteligência. Lembre-se: Darwin foi um estudante medíocre. E revolucionou a ciência.

B14. É comum e normal ficar atrapalhado e confuso com novos conceitos e problemas quando se começa a estudá-los.

B15. Não desanime por não estar gostando de uma matéria. Nós adquirimos paixão por aquilo em que somos bons. O erro é pensar que, se não somos bons em alguma coisa, nós não temos e nunca iremos adquirir paixão por ela. Quanto mais você aprender e dominar um assunto para aplicá-lo, mais você vai gostar dele.



C. O QUE NÃO FAZER

C1. A procrastinção é a morte do sucesso. A melhor forma para lidar com a procrastinação é IGNORAR AS DISTRAÇÕES!

C2. “Quando você faz várias coisas ao mesmo tempo (trabalhar no modo multitarefa), você não é capaz de fazer conexões mentais ricas e completas, porque a parte do cérebro que ajuda a fazer as conexões está constantemente sendo chamada para uma nova tarefa antes que as conexões neurais possam se firmar. (…) Cada mudança de foco em sua atenção absorve um pouco de energia. Embora cada mudança em si pareça pequena, o resultado cumulativo é que seu esforço leva a um resultado muito menor. Você também não consegue se lembrar tão bem do que estudou, comete mais erros e tem mais dificuldade de transferir o que aprendeu para outros contextos. Pior de tudo, os estudantes que fazem outras tarefas ao mesmo tempo em que estudam (…) tiram notas consistentemente mais baixas.”
[“You’ll never learn! Students can’t resist multitasking, and it’s impairing their memory.” Slate, May 3 (2013). http://www.slate.com/articles/health_and_science/science/2013/05/multitasking_while_studying_divided_attention_and_technological_gadgets.3.html]

C3. Cuidado com as ILUSÕES DE COMPETÊNCIA. Não confunda processamento fácil com aprendizagem efetiva.

C4. Não use o computador durante seu tempo de procrastinação: isso é envolvente demais.




D. EM RELAÇÃO A PROVAS E AVALIAÇÕES

D1. Você não é a sua nota. Você é melhor do que isso. As notas são indicadores de como você administra o seu tempo ou simplesmente representa uma taxa de sucesso circunstancial.

D2. Notas ruins não significam que você não é uma pessoa inteligente.

D3. Estudar na véspera da prova e passar não é sinônimo de sucesso. Estudar tudo de última hora antes das provas é um jogo de curto prazo, com pouca ou nenhuma satisfação e resultados temporários, pois a aprendizagem é superficial e facilmente perdida. A aprendizagem é um jogo de longo prazo com grandes recompensas na vida.

D4. Pesquisas mostram que as provas, em si mesmas, são uma poderosa experiência de aprendizagem. Elas alteram e aumentam o que você sabe, além de melhorar muito sua capacidade de reter o material. Isso parece ocorrer porque fazer provas fortalece e estabiliza os padrões neurais relacionados em seu cérebro.
[Dunlosky, J et al. “Improving student’s learning with effective learning techniques Promising directions from cognitive and educational psychology.” Psychological Science in the Public Interest 14, 1 (2013): 4-58.]



E. UM PUXÃO DE ORELHA…
“O que você diz ao aluno que procrastina, mas se recusa a aceitar sua própria responsabilidade e, em vez disso, culpa tudo e todos, exceto a si mesmo? Ou o aluno que é reprovado em todas as provas, mas acha que ele sabe a matéria melhor do que as suas notas indicam?

- “Se você constantemente se vê em situações nas quais você pensa ‘não é minha culpa’, algo está errado. Em última análise, você é o capitão do seu destino. Se você não está obtendo as notas que gostaria, você precisa começar a fazer mudanças para navegar para melhores paragens, ao invés de culpar os outros.”

- “Vários alunos me disseram ao longo dos anos que “realmente sabiam o material”. Eles eram reprovados apenas porque não eram bons em fazer provas. Muitas vezes os colegas de um desses alunos me contam a verdadeira história: o aluno não estuda nada ou estuda muito pouco. É triste dizer que a autoconfiança injustificada na própria capacidade às vezes podem atingir níveis quase delirantes.”

6 Comments

  1. Amei , prof .. ajudou muitoo.

  2. Amei ! Já fazia algumas dessas técnicas sem saber que eram técnicas. Muito bacana, obrigada pelo post.

  3. Muito legal o assunto. Dicas que parecem tão simples e ao mesmo tempo são por nós esquecidas… Bem bacana ler!!

  4. Alexandre, muito válida as orientações. Aprendi varias coisas e reforcei outros conceitos que o tempo faz com que o Professor coloque em dúvida a sua verdadeira prática.
    Não pode ser comentado com os alunos mas …….”quem ensina é quem mais aprende”. Somos eternos aprendizes, graças a Deus.
    Boa iniciativa . Parabéns.
    Saulo Passos
    Professor de Pediatria da FMJ

  5. Amei as Dicas Prof. adoro suas aulas.

    São ótimas dicas a serem seguidas e levadas e pratica

    Parabéns!

  6. Obrigado pelo comentário, Fernanda!

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